quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO E AS NOVAS TECNOLOGIAS - Regiane Santiago


O mundo contemporâneo vem sendo marcado pela incorporação das inovações tecnológicas nas várias áreas da atividade humana. Tal fenômeno é bastante perceptível no campo educacional, onde as Novas Tecnologias têm desencadeado processos de inovação extremamente relevantes para o contexto atual.
A introdução das NTICs no processo de ensino-aprendizagem, levando-se em consideração o seu potencial pedagógico veiculado aos conceitos de colaboração e cooperação, tem possibilitado o surgimento de ambientes colaborativos de aprendizagem, que propiciam a construção social do conhecimento, e, consequentemente, a formação de indivíduos críticos, capazes de assumirem uma postura participativa, ativa e interativa dentro da sociedade.
É importante sinalizar que o papel da educação vem se modificando, enfrentando novos desafios para atender a uma demanda de aprendizes mais autônomos, estimulados pela ação conjunta da tecnologia, relativamente acessível e de grande oferta de informação.
No contexto atual, a escola não é mais a única referência para a transmissão do conhecimento, nem o professor, única fonte de informação. Faz-se necessário ao educador do século XXI, repensar a sua prática e o seu papel na sociedade da aprendizagem, reconhecendo que o espaço escolar deve ser visto como um espaço de constantes mudanças, onde o aluno possa, de forma participativa, interagir no processo de ensino-aprendizagem, sendo o professor uma peça fundamental, enquanto orientador e mediador, participando com os alunos de novas excursões intelectuais e metodológicas.
Para Paulo Freire, o homem se constrói e chega a ser sujeito à medida em que, integrado em seu contexto, reflete sobre ele e com ele se compromete, tomando consciência de sua historicidade. Desse modo, toda ação educativa deve permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo e estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade. Sendo assim, é necessário que a relação professor-aluno seja horizontal e não imposta. Para que o processo educacional seja real, é necessário que o educador se torne educando  e o educando, por sua vez, se torne educador, superando assim as contradições da educação bancária. Educador e educando são portanto, sujeitos de um processo que crescem juntos, educando-se em comunhão.
Um outro fator que merece destaque no que se refere ao uso das NTICs nos processos educativos, é a potencialização da comunicação e socialização do conhecimento, através das comunidades de aprendizagem em ambientes virtuais, o que certamente favorece a superação dos limites temporais e espaciais dos sujeitos, contribuindo assim para a democratização da educação.
A utilização de tecnologias e mídias na escola e na sala de aula impulsiona a  abertura desses espaços ao mundo e ao contexto, permitindo articular as ações globais e local, sem contudo, abandonar o universo de conhecimentos acumulados ao longo do desenvolvimento da humanidade.
                                                                                                   (Almeida, 2001)
Sendo assim, as Tecnologias da Informação e Comunicação desempenham um papel de suma importância no mundo contemporâneo, pois além de ampliar os espaços educativos, oferecem os aportes necessários para uma participação ativa dos sujeitos na construção do conhecimento.
Em função da importância que a sociedade da informação adquiriu nestes últimos anos, torna-se essencial que a instituição escola não fique excluída desse processo e perceba a importância das NTICs como ferramentas didático-pedagógicas, capazes de provocar mudanças significativas na prática educativa.
Nesse sentido, o professor deve tornar-se receptivo às mudanças e propostas no campo da educação, principalmente no que se refere à integração das NTICs, pois o uso destas dentro de uma abordagem didádico-pedagógica, que tenha como objetivo o desenvolvimento de habilidades e competências no educando, é sem dúvidas uma prática eficaz para o direcionamento dos sujeitos da aprendizagem, à constução do conhecimento de forma ativa e interativa.
Segundo Prado (2005), para que haja essa integração, é necessário conhecer as especificidades dos recursos midiático, com vistas a incorporá-los nos objetivos didáticos do professor, de maneira que possa enriquecer com novos significados as situações de aprendizagem vivenciadas pelo aluno. Desse modo, é preciso conhecer o potencial educativo das Novas Tecnologias, para então utilizá-las, não como substitutas do professor, mas como ferramentas auxiliares e potencializadoras da prática docente.
De fato, a inclusão das NTICs no contexto educacional, tem posssibilitado uma maior interação entre os sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. As tecnologias interativas proporcionam um maior intercâmbio de saberes e experiências, abrindo espaço para uma maior aquisição de informações e construção colaborativa  do conhecimento.
Contudo, devemos considerar que, com o uso crescente das Novas Tecnologias, a sociedade contemporânea tem se caracterizado pela excepcional quantidade de informações que são veiculadas pelos mais variados meios. O volume de informação é tão grande, que acaba reforçando as aprendizagens rápidas e passageiras.
Diante disso, é imprescindível que a educação ofereça as condições necessárias para que os sujeitos possam desenvolver a capacidade de selecionar as informações segundo os seus interesses e necessidades, para então ter um contato mais profundo com as mesmas e poder transformá-las em conhecimentos significativos.

REFERÊNCIAS
Concepções de Aprendizagem (módulo). Disponível em http://eproinfo.mec.gov.br/fra_def.php?sid=52E221BAA3248174C18C5C0F587DA9A8.

Novas tecnologias da informação e comunicação. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Novas_tecnologias_de_informa%C3%A7%C3%A3o_e_comunica%C3%A7%C3%A3o.

VALENTE et AL. Educação e tecnologias da informação e comunicação. Salvador: Empresa Gráfica da Bahia, 2009.


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